A herdade dos seis sentidos
A. Da Costa Morais
Não sei se alguém me terá embalado com uma história para crianças ou se nasci já com esta pueril ideia... Eu ia tornar-me num belo homem, algures, num momento afortunado, descobriria o amor da minha vida, com quem teria uma família numerosa e feliz. A minha casa era grande para caberem lá todos os meus e, um dia, numa cadeira de baloiço, protegido pelo alpendre de madeira, entre o riso dos meus netos, ou quem sabe, talvez, dos meus bisnetos, e o silêncio magnificente do pôr do sol, que esperava por mim entre as azinheiras e os sobreiros lá mais adiante, adormeceria tranquilo, agradecido por uma vida longa e plena.
