A minha guerra colonial e outras memórias

Diamantino Monteiro Marques

O ar, por momentos, deixara de ser, apenas, um misto de oxigénio e azoto, com predomínio deste, era algo que me inundava a boca e as narinas. Magicamente, conduzia-me a um invulgar bem-estar, onde a eventual proteção da G3 fora substituída pelo hercúleo enleio dos frágeis e delicados braços da minha querida mãe. Milhares de pés de capim, muito alto e ondulante, acolhiam no topo dos seus caules outros tantos ninhos de pequenos passaritos madrugadores, empenhados em encher o papo. O coro de tantos eles, aos milhares, o fresco odor da mata a acordar e as flores, muitas flores, tornavam paradisíaco aquele sítio! E dei comigo a pensar: “Como é possível, num lugar tão encantador, tão mágico, admitir, sequer, a eventualidade de uma qualquer emboscada ou flagelação?!”

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De novo, aquele maldito fragor de tantas armas a disparar em simultâneo, à frente, atrás, ao lado! Em tais circunstâncias, centenas de projéteis esquadrinham os ares em todas as direções ? ser ou não ser atingido por um deles é, também, uma questão de sorte. Ninguém está distraído. Todos se colam ao chão. Estar de pé, pode ser o passaporte para aquela “viagem” que queremos evitar. Ouvem-se berros de um e de outro lado. Um inferno, sem dúvida!



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