A Verdade Invisível

Paulo Cunha

Havia uma estranha envolvência naquela noite glacial de Dezembro. Cinco minutos antes das onze da noite, o funcionário de uma universidade abeira-se da sala A9. Sobressaltou-se com aquela tranquilidade desconhecida e sem conseguir evitar, sentiu um prenúncio de tragédia a descer sobre ele, como um arrepio de frio involuntário. Usando a sua chave, introduziu-se naquele espaço fechado. Ao observar ao fundo, junto ao quadro, aquela figura imóvel com a cabeça encostada para trás a olhar para o infinito, suspeitou do pior. Amedrontado, aproximou-se do professor, teceu um comentário de circunstância e não obtendo nenhuma resposta, tocou-lhe deferente no ombro, mas ele continuou naquele estranho estado hipnótico.

Com o relógio a contar, entra em cena Apolo Silveira de Saraiva. No antinómico que sobreveio e condicionado momentaneamente pelas circunstâncias que encontrou no terreno, pensou que estava preparado para aquele momento, para toda a verdade dos factos. Afinal, descobriu amargurado que não suportava demasiada realidade. A verdade invisível de uma história de vida desnuda as próprias certezas. E, no decurso daquela investigação descobriu que os velhos pecados têm sempre sombras grandes. Com efeito, quando o presente tenta analisar o passado, perde sempre o futuro.

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