Andros, terra de homens

Miranda Shore

De repente uma voz de homem começou a cantar em andraico. 

Outras vozes masculinas se lhe juntaram e em breve todos os homens presentes cantavam em coro. 

O canto era suave, mas um pouco marcial. 

Lembrava os coros russos.

Impressionava e eu comecei a sentir pele de galinha. 

Nós, as mulheres, estávamos subjugadas pela beleza da música e do acto em si. 

Uma mulher, ou várias, começaram a acompanhar em surdina o coro dos homens e outras se lhe juntaram.

Cantei também. 

A certa altura olhei para o lado. 

Quase junto a mim estava Marcos, que tocava. 

As horas passaram. 

Não sei quantas. 

Ninguém sabia dizer quantas, mas ninguém arredou pé. 

Por fim a porta da cabina abriu-se e a médica apareceu levantando nos braços a recém nascida.

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