Bem Me Quer - muito, pouco ou (quase) nada

Maria do Carmo Cachulo

Dizem que o amor se mede em grandes gestos, mas a verdade é que ele se desfaz, quase sempre, em migalhas. 

Para alguns, o amor é um banquete glamoroso, mas eu prefiro acreditar que o melhor momento é quando ele se esconde no papel vegetal de um bolo de arroz.

Tu tens o ritual de começar pelo topo, por aquela crosta de açúcar estaladiça, e deixas sempre o resto para mim, como se me entregasses o coração do doce inteirinho. 

É um carinho silencioso, desses que sabem a domingos de sol.

Conduzo o meu olhar para o movimento, hipnotizada pela delicadeza de quem tenta não destruir o que ainda está inteiro.

Rimos os dois, sentados naquela mesa de sempre, enquanto o mundo lá fora corre apressado. 

Ali, entre o cheiro a café acabado de moer e o balcão que brilha, o tempo decide parar. 

Entre o que vivemos e superamos, a nossa história ganha vida: um livro esculpido entre o encanto da tua prosa e o espanto da minha poesia.

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