Confissões de uma Miúda Gira

Ângela Caboz

A história poderia ser eu. Podia escrever sobre o passado, inventar um futuro. Poderia até passar sobre o presente, não deixar que mais memórias se escondessem nesta bagagem pesada que carrego sobre os ombros. “Era a mulher atinada. A mulher que não cometia pecados. Disponível para todos. Sempre com um sorriso nos lábios e um abraço para confortar quem dela precisava. O seu coração materno obrigava-a a ser assim. Não existia outro vestido que lhe servisse. Não poderia calçar outros sapatos para caminhar na estrada, que a vida lhe dissera que era a sua.” Mas, a vida ensinou-me que o caminho certo era o amor, transformou a miúda sonhadora em mulher que aprendeu a amar. “Sonhaste e foste trilhando a pulso o teu caminho. Deixaste o teu rasto pela estrada da vida, onde sempre caminhaste com passos largos. Tatuaste sentimentos em corações alheios. Deste um pouco de ti a cada um deles. Sem nunca permitir que eles escrevessem sentimentos eternos nas linhas invisíveis do teu coração. Poderia chamar-te ave ferida. Ou quem sabe, ave solitária.” É a história do que sonhei, retalhos de uma alma, dos momentos que vivi entrelaçados com sonhos em que me perdi. É a escultura da alma que sou e a imagem do coração com que sinto todas as palavras, que dançam nas linhas rectas da folha em que escrevo uma história colorida de uma vida que por vezes vivi.

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