Dispersão

Fernanda Gama

Em pausa

À espera do absoluto.

A porta abre-se para o nada.

Mecânica relativista em progressão,

na inexistência da simplicidade.

O cão que passa, na certeza do ir,

vai porque sim.

Não fica por ficar.

Não há dúvida existencial, sem condição humana.

Entre o agir e o quietar, a dúvida é sapiens.

Ergue-se o amanhã, na penumbra do hoje.

Sombra que é nuvem, adivinhando a tempestade.

A luz do dia desvanece.

Regressão adivinhada.

Rasga-se o ser, em pedaços desconjuntados.

Ultrapassa-se a dor.

A metamorfose do infinito,

via rápida para o desafio

sem espelho retrovisor,

transforma tudo em sal. (…)

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