Dispo-me em Faúlhas
Martinho de Esteves
Há momentos em que a sobriedade desmantela o ritmo dos passos da carne dançante embriagada e com a música esses passos parecem perder o sentido.
Seja a sobriedade um aceno ou um monólogo, esse estado é suficiente para condenar um inocente à condição que abisma um homem.
No entanto, todo o passo de um homem não deixa de ser uma dança, o despontar de uma faúlha numa noite que grita o silêncio.
A musicalidade é a única coisa que, enquanto escava e denuncia, comunica a vibração no abismo que separa a pele do chão e do tudo em volta.
A poeira dança a imensidão que cobre o seu tamanho.
E a imensidão é todo um mundo de uma poeira irredutível.
