Do Ser... Do Viver

António Soares Mendes

Dizem que o tempo voa, que plana nos montes e contorna as formas das montanhas, que vive nas brisas frias e nos balões de ar quente, lá longe, tão alto, esquecido de tudo o que foi um dia.

Que respira nas rugas de olhos cansados e longos suspiros.

Dizem que também pode ser amor, olhares que se cruzam num acaso de caminho.

Os dias são tudo.

Trilhos que passo a passo se interrompem, continuam, mudam, e se transformam noutras direcções. 

Diz-se tanta coisa sem sentido, e que teria sido feito do Lourenço? Um estojo de lápis e borracha, caneta e régua. 

Ajudem o Lourenço. Ajudem o Lourenço. 

O lutador. 

Um “Ajudem o Lourenço” que ecoará anos e anos no tempo.

Diz-se tanta coisa sem sentido. No entanto, um dia, esbarramos de frente com um “…do Ser… do Viver…” assim, tão puro e poético. 

Tão real e doloroso. 

Cheio de mundo e de mundos. 

Setas amarelas de um passado que fica. 

É obrigatório ser. 

É fundamental viver.

Para sempre.

Gonçalo Ramos.

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