Ecos de Bronze
Miguel Moutinho
Portugal ainda experimentava viver em democracia.
Vivia-se o ano de 1977.
Na pequena aldeia de São Bartolomeu das Vinhas, por entre montanhas e vales, o sino da igreja não chamava apenas os fiéis às missas - ele guardava memórias, segredos e promessas suspensas no ar.
Às seis da manhã, o primeiro badalar ecoava pelos campos de vinha, despertando corações adormecidos.
À tarde, o toque lento anunciava a saudade dos que partiram.
E, ao anoitecer, o toque solene trazia consigo todas as histórias por contar.
No centro dessas histórias estavam Luís e Maria — dois jovens cujas vidas se entrelaçaram ao som desse sino, como se cada badalada fosse um fio invisível a ligá-los um ao outro.
Um segredo bem guardado que apenas o sino soletrava.
