Expectus Luna, Esperando a Lua

Ana Rita Areias

Tenho o estranho hábito de comparar os ciclos da vida das pessoas com as fases da lua em que se encontram. Para cada batimento, associo um luar e para cada lugar existe um sentimento.

Cabe a alguns, orbitar pelo universo afora e pergunto-me o que é do céu e o que é da lua. Se tudo o que brilha for do céu teremos sempre mais luz lá em cima. E, creio ser por isso, que todas as noites, o céu se ilumina. Porém, cá embaixo ainda desejamos ver as estrelas cadentes, mesmo quando devemos deixar a chuva somente pingar.

Faça-se dia ou faça-se noite, de cada vez que se tenta sentir, cami­nhamos com a esperança no peito e a guardamos depois, por mo­mentos, debaixo da almofada. Há coisas que guardamos também debaixo da pele. Porque temos gente com coração, com luz que não se apaga e que vai atrás dos sonhos. Guardar torna-se, assim, inato. E aquela conversa de confiar na voz interior continua a ser difícil, mas é também uma forma de florir sem medos.

Somos igual a um raio de luz. Temporário porém quente. Já o amor é uma outra coisa. Quando um coração se parte, será que adormece ainda a sonhar?

Se algum dia não me lembrar de ti, fico aqui, esperando a lua.

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