Mas Afinal, o que é Estética?

Carlos Velázquez

Falar sobre coisas é um privilégio humano tão fascinante que, às vezes, a despeito das coisas, torna-se um fim em si. Falamos sobre coisas que não são mais elas, são imaginações sobre imaginações, palavras que correm soltas dispostas a assumir qualquer sentido, pois carecem, por desconhecimento, de seus objetos de origem.

Na atualidade, a palavra estética é um bom exemplo disso. Esteta é o modista, como o é o ortodontista, o cabeleireiro, o personal training e o cirurgião plástico. Todavia, estética é falar sobre coleções de arte ou justificar absurdos de arte contemporânea. Em suma, é falar de percepções encaminhadas a normatizar ou a legitimar aparências. Entretanto, a percepção, aisthesis em grego, donde a palavra estética, não se restringe às aparências.

A aparência das coisas depende de afeições particulares, é dizer, subjetivas; por isso a missão da educação é transcender as aparências em direção à profunda percepção do real, do mundo objetivo. Pensar a estética como uma cultura de aparências implica assimilá-la como uma doutrina oposta à educação. Em contrapartida, pensar a estética para além das aparências implica enveredar por uma redescoberta da educação sensível.

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