Na Bruma do Tempo

João Fonseca Matias

Apesar do enorme esforço para evitar o ultramar, o destino era Moçambique e a causa que me fazia ir no avião era a guerra. As imagens que desenhei no pensamento e na imaginação transformaram, no momento, radicalmente, o meu estado anímico. A metrópole ficara para trás, a família ficara temporariamente distante, os amigos seriam para outras ocasiões. Agora seria o ator principal a atuar num palco desconhecido, a viver e a sentir por mim, cujo guião seria escrito pelo destino. Apenas pelo destino! Mesmo sabendo ir enfrentar e tentar sobreviver a uma guerra, ansiava fervorosamente chegar à Beira, pisar as terras vermelho ocre ou amarelas, conhecer e conviver com novas gentes, costumes e culturas, inebriar-me com novos cheiros, apreciar exóticas paisagens, utilizar todos os sentidos e viver experiências para gravar nas páginas do livro da minha vida.

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Era hora do crepúsculo. A luz do dia implodia numa fluência de diversas cores, largando o azul para ceder a tonalidades laranja e rosa, sucedendo-se minutos depois, numa cascata de cores, de escarlate a misturar-se com vários tons de púrpura. Espetáculo digno de se ver e apreciar,  onde a beleza se fundia no desconhecido, fazendo jus aos tão afamados pores-do-sol africanos. Estava em África.

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