O caso do cordão de ouro desaparecido

Ramiro Carrola

Era um sábado de Agosto, corria o ano de 2020. Maria Alice Furtado, uma octogenária com problemas de mobilidade, fora ao seu cabeleireiro, o salão Beautiful, em Angra do Heroísmo, arranjar o cabelo; levava ao entrar no salão um robusto cordão de ouro ao pescoço e à saída, quando o irmão José Manuel a foi buscar de carro, o cordão tinha desaparecido; a empregada Cátia, que lhe cortara e lavara o cabelo, e que ali trabalhava havia apenas um mês, confrontada com o desaparecimento do cordão, confessou que o vira, de facto, no pescoço da cliente, mas, jurava a pés juntos, não o furtara.

Na segunda-feira seguinte, Raúl Furtado, o marido de Maria Alice, antigo agente dos serviços secretos, operativo na guerra de Angola e cinto negro de karaté, entra em acção e começa por apresentar queixa do furto na PSP, alertando os agentes dos serviços de investigação para a urgência de imediatamente se porem em campo, fazendo buscas nas casas de compra e venda de ouro da cidade, em casa da suspeita e no salão de cabeleireiro, antes que acontecesse o cordão seguir para Lisboa, e ali, como é usual, ser derretido e fundido em barra, perdendo-se-lhe de vez o rasto...

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