O Despertar da Alma Portuguesa in Sonetos

Cláudio Carneiro

EVOCAÇÕES

Aqueles que eu amei e agora invoco
filhos da minha aldeia, assim meus pais,
terminada a missão para que vieram,
aqui repousam, dando seiva à terra:
em vida, com suor, mortos, o corpo,
castigo do pecado original.
O corpo vem da terra, à terra volta,
a alma vem do Céu, ao Céu regressa,
se das obras tiver acolhimento.

Com muitos convivi e trabalhei
nas lidas campesinas da lavoura,
alegres pelos campos a cantar.
Nos dias de laser ledos andámos  
por feiras, por romagens, por aldeias...

Aos trinta desnorteei, fui para longe,
abandonei a terra e os amigos,
deixei a alma - o estro do meu ser.
Levei comigo o corpo desalmado, 
em busca de trabalho, que me desse
um rumo nesta vida, que não tinha.

Trabalhando, estudando, fui subindo
a íngreme ladeira da montanha.
Agora a vou descendo, mais ligeiro
apesar de já velho e alquebrado,
mas pelo lado oposto e sem regresso.

Agora, quando posso, por cá venho
visitá-los, orar, falar com eles, 
apesar das distância estão-me perto
em tempo e espaço, pois a vida é curta.
Eu falo-lhes das coisas cá da terra,
eles a mim, das coisas lá do Céu.      
E qualquer dia, se Deus me quiser,   
de novo viveremos como outrora
no etéreo resplendor da Graça Plena

Cemitério de Chacim
15/08/1996.

Cláudio Carneiro

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