O filho do doutor
Amílcar Covelo
Naquele tempo, os caminhos eram extensões das habitações. Nascia-se e morria-se noscaminhos, se bem que apenas os que morriam ganhavam um registo ao lado da passagem em jeito de alminhas. Ao atravessar uma floresta noturna tudo podia acontecer. E nãosó as bruxas eram culpadas do que sucedia a quem se punha descalço a calcorrear mato. Assim ia Belisário com o tempo contado para arranjar um tratamento que livrasse Maria da morte certa. Já não acreditava nas rezas das velhas, nem nos poderes curativos dos vinhos de alhos com que elas temperavam a febre que precipitava a moça em profundos delírios.
Continuava a andar porque no bolso levava uma fé ferrada de poder falar com o filho do doutor.
