O lento esvoaçar das cortinas pela manhã

Pedro de Sá

Tardaste a compreender os factos da vida! Se as coisas podiam ser diferentes? Talvez seja a única questão órfã de resposta. Teremos sempre a nossa praia e as duas canções, é tarde para mim, cedo para o mundo, tenho de ir…

— Eu só te queria dizer…

— Deixa, as palavras pertencem à noite, o sentir ao dia, se os nossos olhares se encontrarem, pelos caminhos da vida, prometo ter duas canções alinhavadas para nos relembrar que, um dia, te peguei na mão, naquela praia, um vislumbre de Eternidade, sem ontem, nem amanhã, nem calor, nem frio, apenas um estar, voltámos costas ao mundo, e segredei-te a mais preciosa frase que conheço: “Eu amo-te.”

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