Para lá da Porta do Dragão

Rama Sonula

A muralha da Fortaleza, que a princípio parecia intransponível, começava, também, após várias cogitações e observações, a parecer poder tornar-se um pouco fácil de transpor. 

Saltar a muralha? Não, era apenas uma ideia, e não mais, que assolava ao espírito do marujo.

O contacto com um amigo ou familiar do exterior da prisão tornar-se-ia para André um imperativo nos momentos que corriam ali, dentro daquele baluarte. 

Mas como chegar até esse contacto, se, por via postal, a situação era completamente controlada? Toda a carta que desse entrada no Forte ou que saísse dele era sempre totalmente vasculhada, lida, relida e cuidadosamente interpretada. 

Se se desse o caso do seu conteúdo não agradar a quem fizesse a "censura" das duas uma: ou esta carta não era simplesmente entregue ao recluso quando era recebida no Forte ou não seguiria para o correio, caso se tratasse de carta enviada. 

Quanto a este último caso, o marinheiro seria chamado para tornar claro alguns pormenores da carta a enviar, podendo esta ser-lhe devolvida, ou não, conforme a "gravidade" da situação.

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