Poéticas

Diogo Alves

“Púcaros aos altos, vertendo o vinho sobre o rosto perecível,

Como se verte o sangue do nosso seio sobre a face do terceiro labor:

[…]

Brindemos à nossa desdita fortuna

Não brindando, engulamo-lo não o meditando

E corramos extáticos, nus de nós mesmos,

Ao cais que Caronte nos aguarda o óbolo,

Esquecendo quase sua existência

Pelo êxtase a que nos serve Dioniso

E que permite Júpiter e Apolo

Invejando a desgraça.

[…]

Púcaros aos altos, já se foi o vinho,

Resta o sangue derramado e a ambrósia no célere ventre. “

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