Que Nada!
Francisco Correia
Gaivotas
Já não vejo esvoaçares
De gaivotas, em meus sonhos,
Do litoral e dos seus mares,
Por distante, muitos anos.
Gaivotas destes lugares,
Memórias de outras idades,
Quando as vi nos seus planares,
Senti logo as saudades.
Como se, em câmara lenta,
Uma imagem parasse,
E, nesta pausa, por tormenta,
Minha visão turvasse.
Neste súbito enleio,
De um sentir inesperado,
A recordação que me veio
Foi de um tempo já passado.
