Um amor tardio

Manuel António Araújo

Há uma aldeia onde não há espaço para morrer. O cemi­tério não tem espaço e o padre recusa acompanhar os mortos enquanto não houver um cemitério novo. Há um homem e uma mulher que, embora vivendo na mesma pequena aldeia nunca se cruzaram, exceto naquela tarde. Há uma menina sozinha a viver numa casa esburacada enquanto o pai trabalha arduamente e a tem como que sequestrada, embora faça tudo para que ela não passe fome nem frio. Há o fogo do lume. Há o amor que despon­ta tarde naquela encruzilhada.

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