Memórias de Manel Loendrêro

Luís Santa Maria

Uma vez quê más os mês amigos do Taquali viemos à vila fazêr os avios, recebemos um convite do mê neto, ê o Zéi Alacrau e o Cara de Cinoira, pa irmos com eli a uma descoteca más as mulheris... Cando entrámos tava aquilo tudo à média luz, com umas lêmpedas azuis acesas.
- Uma candêa d'azête fazia melhor efêto! - Disse o Zéi.
- Ô um candiêro a pitroli. - Respondê o Cara de Cinoira.
Por fim, chigámos lá à casa onde balhava. Eh rapaz! A música eram só estoiros e guinchos!
- Abaixem essa moenga! - Gritô o Cara de Cinoira, mas ninguém le ligô. Atã e o tecto? Eram só lâmpedas. Pra quêi? Uma chigava e sobrava. Até fizeram um chão de vrido, só pra le porem más lâmpedas por baxo. E despois nã podiam tar quetos com aquilo: sempre acendendo e apagando, pió có rapazis. Capaz de fundirem alguma. Foi atão cuma bola no tecto começô a dêtá luzis que fugiam por as paredes e por o chão. Nã tardô nada que nã começássemos a ficar almareados, e no meio da sala os rapazes e as raparigas ós pulos como se tivessem ortigões a picar-le os péis.

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