O Nome do Chão
Jorge Baptista Pereira
“A minha tia-avó escreveu
uma carta ao marido já falecido.
Chamava-lhe: o meu eterno vizinho de cama.
Deixava-a em cima da escrivaninha
todos os domingos.
Quando lhe perguntavam porquê,
dizia:
Ele lia tudo o que eu escrevia.
Quando ela morreu,
havia 147 cartas num envelope,
todas assinadas com a mesma frase:
Hoje o dia esteve claro.
O pão ficou bom.
Faltas tu.”
