O Vaqueiro

Banancassa

Correu reto, com as atenções prestadas na direção em que vinha o canto, quase que não se importando com onde pisava e como o fazia. 

Corria de cabeça abaixada, fazendo lembrar, na verdade antecipando, cenas que lhe iriam acontecer semanas mais tarde. 

Quando estava perto da árvore em que estavam a gorjear esses passarinhos, parou de correr e ficou a olhar em volta. 

À sua frente, e caminhando em sua direção, mas a uma distância de pouco menos de cem metros, viu aparecer-lhe uma figura dobrada sobra si própria, mais sombra que corpo, magra, trémula como folhas de palmeiras à beira-mar e movendo-se como se não estivesse a pisar o chão. 

Não conseguia distinguir a figura, parecia-lhe estar a ver uma sombra de nuvem.

Os olhos estavam-lhe meio ofuscados pela fome e pelo cansaço desse dia chuvoso, que mal conseguia mantê-los abertos por muito tempo sem os esfregar. 

Sentia-se arrepiado, contudo ganhou a coragem e continuou a seguir.

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